sábado, 22 de setembro de 2007

De Profundis

Senhor, por que jamais disseste ao certo
Que tudo nessa vida vai aos poucos
Perdendo aquele espírito que aos loucos
Desenha belas rosas no deserto?

Lutamos com o seio descoberto,
E nem a nossa dor em gritos roucos
Consegue despertar os deuses moucos
Que vivem sempre longe e nunca perto.

Ao Homem resta uma alma malferida
— Refém das alegrias mais estranhas —
E presa de uma culpa indefinida,

A lágrima rasgando-lhe as entranhas,
Na angústia descobrir que nessa vida
Somente o coração move montanhas.

Um comentário:

fabio disse...

Muito Bom! Com o tempo pretendo ler todos.