quarta-feira, 12 de dezembro de 2007

Canção Matutina

Àquela que jaz em meu coração


Sinto a pele gelada como neve
Toda vez que a alvorada pressagia
A chegada de mais um novo dia
Nesta minha existência triste e breve.

Pois jamais escutei a melodia
Que no túmulo a tua pena escreve,
E nas noites de sono sempre leve
Ouço ao longe gemidos de agonia:

São as tuas canções que sentem frio
Sob a terra que achou por bem prendê-las
Entre as grades de um cárcere vazio,

Mas assim que o pavor emudecê-las
Ficará para sempre mais sombrio
Este céu de pouquíssimas estrelas.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

Sobre o Fim

Ao ver aproximar-se a Eternidade
E os céus escurecerem sem razão,
Ergui a Deus a dor de uma oração —
Um canto de silêncio e verdade.

Tentei negar o medo, mas em vão,
E até sorri apenas por vaidade
Na hora em que a sombria tempestade
Tingiu de negro as cores da estação.

Assim, se em teu momento derradeiro
A tua fé falhar por um instante
E nada mais restar do amor primeiro,

Recobra as tuas forças de gigante
E sê como um espírito guerreiro
Que impávido proclama:- Sempre avante!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

Pesadelo

Self Portrait of a Newborn Fear


Na minha vida o sonho foi em vão,
Por isso trago em meu soneto aflito
A imagem de um fantasma, um ser maldito,
Que ruge nos sepulcros como um cão.

A Morte fez da minha voz um grito —
Um deus que se perdeu na escuridão,
E assim do meu estreito coração
O sangue escorre rumo ao infinito.

Agora sopra um vento mais gelado
E a velha angústia surge na distância
Trazida por algum atroz pecado.

Na minha língua sinto o fel da ânsia
E o medo que me faz sofrer calado
Mutila o que restou da minha infância.

domingo, 9 de dezembro de 2007

Procura-se Uma Musa

Procura-se uma musa que me queira,
Alguma sepultura, uma princesa,
Amante com sabor de framboesa
Que sempre seja minha por inteira.

Procura-se uma deusa da Beleza,
Mulher de face humilde ou altaneira
Que seja das beldades a primeira
Falando ao seu poeta com franqueza.

Porque para Calíope sou imundo
E Euterpe riu da minha habilidade
Dizendo ser-me o estro gemebundo.

Apolo, perdoai-me a acerbidade
Se insisto em vos dizer que neste mundo
Procura-se uma musa de verdade!

domingo, 2 de dezembro de 2007

Personal Tragedy

I've found my place in the cold rain,
So why would I ever dream again?