Hurt
Unable to cross such distance
My trembling heart slowly bleeds
To give birth to this verse
And place a kiss on your lips.
Unable to cross such distance
My trembling heart slowly bleeds
To give birth to this verse
And place a kiss on your lips.
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Às vezes lembro do sorriso
Que no passado permanece,
Ou do gemido que apodrece
No coração mudo e indeciso.
Mas que essa dor no peito cesse
E assim aos poucos, de improviso,
As linhas desse verso omisso
Virem canção e depois prece.
E sendo música que encante,
Que apague o trauma desse adeus
Com algum beijo semelhante.
Sendo oração que chegue a Deus
Meu grito rouco e incessante
Implorando pelos lábios teus.
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Ignoro todo espinho ou flor que piso.
Trafego por caminhos sempre errados
E cego pela luz do seu sorriso
Contemplo ao longe sóis avermelhados.
Mas meu olhar perdido nada vê
Porque de olhos abertos ou fechados
Em tudo vejo um pouco de você.
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Um cântico de silêncios te escrevi
— Sou fantasma de teu passado morto! —
E no mar de fogo que pulsa em ti
A minha angústia encontrará um porto.
No vale de teus lábios perfumados
Incendiarei as florestas da paixão,
E no teu ventre de ardentes prados
Sepultarei a dor de um pobre coração.
O meu verso será a tua esperança,
A minha loucura te deixará ensandecida;
Hei de libertar em teu seio a criança
Que deixaste para trás sem vida.
E quando enfim chegar a hora certa
Saltarei sobre ti como lobo faminto,
Ou vento que encontrando a janela aberta
Traz o frio do inverno ao teu recinto.
Hás de revelar a nudez de teu encanto,
Bem como a volúpia de teu sangue quente;
Nos teus olhos farei ferver o pranto
E então sem pudor, mui lentamente,
Com minhas presas vou expor a tua chaga,
Beijar-te-ei sem pressa, ressentido,
E como quem um animal feroz afaga
Sussurrarei canções de amor ao teu ouvido.
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No túmulo apodrece a Poesia,
Morreu nos meus pulmões a inspiração;
E agora só me resta a decepção
De ver surgir ao longe um novo dia.
Mas mesmo quando à lágrima me rendo
Quisera uma canção enfim compor
E, livre das amarras desse amor,
Sentir no peito o coração batendo!
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Mulher de lábios castos e fatais
Por quem me apaixonei perdidamente!
Recordo a tua voz, doce e silente,
Assim como o sibilo das corais.
O teu sorriso claro e comovente
Me fez te desejar ainda mais
No instante em que — delírios sensuais —
Provei o teu veneno amargo e quente.
Naqueles dias prenhes de alegria
Te dei o meu amor e o meu respeito
E junto ao coração eu te acolhia.
Contudo certa noite em nosso leito
Num gesto de paixão e covardia
Cravaste as tuas presas no meu peito!
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Trajando uma armadura ensangüentada
Impus a Satanás a minha lei
E os déspotas que não decapitei
Curvaram-se perante a minha espada.
Mas quando finalmente me fiz rei
Após haver ferido o próprio Nada,
Nos céus que me serviram de morada
Cadáveres e sombras encontrei.
Por fim, apunhalado pela Sorte,
Transpus abismos, túmulos e mares
Sem bússola, sem asas, sem um norte...
E longe dos prostíbulos e altares
Nas telas da Tragédia e da Morte
Esboço pesadelos singulares.
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Ao meu primeiro amor
Amei-te como se ama o indefinido!
Amei-te demais, bem mais do que eu quis...
Mas qual rosa de fúnebre matiz
Negaste o meu amor e ressentido
Joguei no lixo os versos que te fiz,
Busquei na solidão algum sentido
E aqui cheguei, cansado e malferido,
Talvez um pouco triste mas feliz.
Feliz por ter sonhado um sonho vão,
Porque te desejei de corpo e mente,
Porque te amei sem medo e sem razão.
E triste por saber que inconseqüente
Esconde-se em meu peito um coração
Capaz de apaixonar-se novamente.
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As crianças com medo
Foram dormir mais cedo
Naquela noite fria
Em que juntou o vento
Desespero e agonia
Num único lamento.
Nas igrejas, nos bares,
Nas ruas e nos lares
A tristeza suicida
Exibiu o seu rosto
E nos jardins da vida
Floresceu o desgosto.
Num repugnante lance
A loucura e o romance
Extinguiram o amor
Para que finalmente
A solidão e a dor
Reinassem livremente.
Amargo fez-se o mel,
O bom se fez cruel,
Azedo fez-se o vinho,
E até mesmo o futuro
Nas previsões do advinho
Surgiu nublado e escuro.
Completando o mistério
Num velho cemitério
Uma lápide atesta:
"Nasceu a escuridão,
Foi-se a luz, nada resta!
Somente as sombras são..."
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Come to taste my tears
Be proud of my pain
Put on your shoulders my fears
Let me be yours again.
Amen.
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Nenhuma tempestade escurecia
As nuvens semelhantes ao cristal,
E nem um só matiz do antigo Mal
Manchava o alvorecer daquele dia.
O Amor lhe parecia tão real
Que mesmo a pertinaz Monotonia
Vestida de gardênias exibia
Um riso doce, leve e angelical.
Provou sem medo do êxtase o apogeu
E o mundo lhe sorriu bondosamente
Por obra da magia de Morfeu.
Então abriu os olhos de repente
E o sonho que sonhava se perdeu
Na dor de um pesadelo permanente.
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Menina de olhos marejados,
Musa da minha fantasia!
Ergo-te uns versos deslumbrados
Em cada instante de agonia.
As tuas lágrimas silentes
Me ferem mais do que Cupido
Que com as suas flechas quentes
Nos faz amar o indefinido.
Mira, belíssima princesa,
O Sol que fulge em teu jardim
E encontra nessa chama acesa
O amor que não conhece fim.
Então me aceita como amigo,
Me ama sem medo — corpo e mente —
E vem depressa, vem comigo,
Viver um sonho novamente!
* N.B.: Do latim laetitia, felicidade.
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Às vezes ouço no silêncio mais perfeito
Um som de faca que me fere bem no peito—
Serão os gritos deste sonho doce e vão
Que brota qual ferida em todo coração?
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It was half past midnight
And the child was asleep
Dreaming about the dead
Buried in the dark deep.
Demons came from the Abyss
To paint death on the skies
And reveal new horrors
To the child's glooming eyes.
But no one heard the cry
Coming from the child's room
When dark and cursed tears
Announced the child's doom.
In the morning one came
And saw under the bed
The child's mangled corpse
Drowned in bloody red.
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Para Sara, nascida em 24 de outubro.
Outubro traz o brado da procela
Às tuas negras noites mal dormidas;
Outubro são paixões interrompidas
E sangue nos matizes da aquarela.
Em mês igual a esse muitas vidas
Se rendem ao fantasma da querela
Trocando uma alegria tão singela
Por lágrimas e culpas ressentidas.
Outubro junta insônia e agonia,
E faz-te ver aos prantos indo embora
Aquele terno amor que te sorria.
Mas sempre após a noite vem a aurora
Pintando na manhã a luz do dia
Até que a dor aos poucos se evapora...
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Leitor de traços meigos e vibrantes,
Contigo compartilho o meu quebranto
Em versos que revelam seu encanto
Igual às tumbas rasas dos infantes.
Escuta as incertezas que hoje canto
Porque forjei sublimes diamantes
Daqueles gritos tão medonhos que antes
Cobriram-te a cabeça como um manto.
Que alguma estrela traiçoeira
Desenhe em teu sorriso uma ferida,
Mas antes prova dessa dor primeira:
A minha rima podre e corrompida,
Porque no meu instante de cegueira
Nenhuma luz brilhou em minha vida.
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Senhor, por que jamais disseste ao certo
Que tudo nessa vida vai aos poucos
Perdendo aquele espírito que aos loucos
Desenha belas rosas no deserto?
Lutamos com o seio descoberto,
E nem a nossa dor em gritos roucos
Consegue despertar os deuses moucos
Que vivem sempre longe e nunca perto.
Ao Homem resta uma alma malferida
— Refém das alegrias mais estranhas —
E presa de uma culpa indefinida,
A lágrima rasgando-lhe as entranhas,
Na angústia descobrir que nessa vida
Somente o coração move montanhas.
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Nothingness emptied my mind
Turning me into another kind
Of monster who laughs and cries,
A living horror made of lies.
Despair has killed all my dreams
Leaving behind sorrowful streams
Of tears never seen before
In the eyes of whom I adore.
And I tried in vain to pray,
To conquer the void where I lay,
But it's always the same creed:
The more I love, the more I bleed.
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Que deus algum amou-te, ser restrito,
Sem antes exigir de ti também
O mesmo pranto amargo do refém
Que implora por um cárcere infinito?
Mas Eu amei-te o barro como um mito
— Amei-te com a fé que um anjo tem —
E em luta contra o teu Senhor no além
Tornei-me Satanás, um ser maldito.
Recebe o meu sinal em tua testa¹
E crê num coração jamais isento
Daquele humano amor que Deus detesta.
Porque se por amar-te me atormento,
Ferido pela angústia só me resta
Na treva prosseguir a passo lento.
¹ Seguiu-os o terceiro anjo, dizendo com grande voz: Se alguém adorar a besta, e a sua imagem, e receber o sinal na sua testa, ou na sua mão, também este beberá do vinho da ira de Deus (...) — Apocalipse, livro XVII, versos 9 e 10.
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Aquele amor ardente que nos doma,
Que rasga sem pudor a nossa derme,
Escava o nosso seio como um verme
E ao pânico uma lágrima se soma.
Desejo a solidão de uma redoma
Que possa proteger um peito inerme
E em cujo interior rebrote o germe
Daqueles sonhos mortos pelo coma.
Do peito arranco aos gritos uma prece
E luto para nunca mais amar,
Contudo o mesmo afeto permanece!
Se em meu sorriso a mágoa tem lugar,
Então por que procuro uma benesse
Num beijo que me fere e faz sangrar?
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