quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Solitude

De mágoas e silêncios me recubro
E cego fiz da dor felicidade
Porém a sós, diante da verdade,
Nos olhos uma lágrima descubro.

Envolto pelo manto da saudade
O meu sangue se torna menos rubro
E nessas noites gélidas de outubro
Caminho pelas ruas da cidade.

Procuro algum afeto e companhia,
Mas eis que Satanás me arrasta então
Às tumbas da necrópole sombria!

E assim após vagar sem direção
No espelho de uma lápide vazia
Contemplo a minha própria solidão...

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Maria Mariana

Maria veste preto todo dia,
Possui um riso meigo de menina,
Conhece algum mistério que fascina
E nada iguala a sua melodia.

Maria curte rock e gelatina
E quando ouço o seu grito de alegria
Talvez seja verdade que Maria
Não sabe se começa ou se termina.

Se chora, se reclama ou se sorri
A sua voz comove e nos encanta —
Maria mora longe, mora aqui!*

Falaram que Maria não é santa
Mas ela diz que não tá nem aí —
Maria não compõe, Maria canta!


* N.B.: no coração.

terça-feira, 7 de outubro de 2008

Inevitável

Ao meu primeiro amor


Amei-te como se ama o indefinido!
Amei-te demais, bem mais do que eu quis...
Mas qual rosa de fúnebre matiz
Negaste o meu amor e ressentido

Joguei no lixo os versos que te fiz,
Busquei na solidão algum sentido
E aqui cheguei, cansado e malferido,
Talvez um pouco triste mas feliz.

Feliz por ter sonhado um sonho vão,
Porque te desejei de corpo e mente,
Porque te amei sem medo e sem razão.

E triste por saber que inconseqüente
Esconde-se em meu peito um coração
Capaz de apaixonar-se novamente.

sexta-feira, 3 de outubro de 2008

Assombração

As crianças com medo
Foram dormir mais cedo
Naquela noite fria
Em que juntou o vento
Desespero e agonia
Num único lamento.

Nas igrejas, nos bares,
Nas ruas e nos lares
A tristeza suicida
Exibiu o seu rosto
E nos jardins da vida
Floresceu o desgosto.

Num repugnante lance
A loucura e o romance
Extinguiram o amor
Para que finalmente
A solidão e a dor
Reinassem livremente.

Amargo fez-se o mel,
O bom se fez cruel,
Azedo fez-se o vinho,
E até mesmo o futuro
Nas previsões do advinho
Surgiu nublado e escuro.

Completando o mistério
Num velho cemitério
Uma lápide atesta:
"Nasceu a escuridão,
Foi-se a luz, nada resta!
Somente as sombras são..."

sexta-feira, 16 de maio de 2008

My Dark Lord (Song of Despair)

Come to taste my tears
Be proud of my pain
Put on your shoulders my fears
Let me be yours again.

Amen.